lapso freudiano

B

Hoje estou mais pra algo como um emaranhado de cansaço, cheiro de cigarro e dor. Não sei por que tento, não sei por que ainda me apego a isso… bom tempo que não posto, sempre tirei minha inspiração pra isso das minhas chagas mas, em um certo ponto, são demais pra se extrair palavras disso, mais fácil seria gravar um grito… Eu não como, não durmo, não penso… ainda me pergunto o que me faz tão diferente, tipos como eu deveriam ser mais sozinhos, mais independentes, mais cientes de que causam repulsa, de que as pessoas não são nada mais do que querem ser com cada um e que, com eles, não será como são com as outras pessoas, com seus laços afetivos e com quem lhes faz bem. Sou errôneo, sou “otário”, “me sinto uma pessoa desagradável só por te aguentar”, e enquanto minha cabeça explode em pensamentos  sem forma, o mínimo que consigo expressar em palavras de tudo o que eu queria me livrar é demais pra ti, “ninguém se importa”, enquanto quem lhe faz bem com afagos por sua partida se importa, por que seria estranho que eu também o fizesse? sei lá… gosto de você, de uma maneira que sempre acaba mal, da maneira como qualquer outro gostar, sempre acaba. E agora acho que te odeio, com minha propensão ao ódio  junto a expectativas de quem “não se importa” e, mesmo assim, te esperei… por todo o dia do meu aniversário te esperei, e depois disso… demorei a lembrar que dia é hoje, demorei a lembrar que as coisas são assim. E lembrei de tudo… lembrei que você vai embora, lembrei que eu não importo, mas não me esqueço do que sinto por você, e nunca me acostumo com quão grande e inexplicável é essa tristeza que sinto e, ainda assim, da minha coragem pra tentar… Acho que dói tanto que comecei a gostar.

Eu sou por natu…

Eu sou por natureza errôneo, tentei me dominar pelo amor mas vi que não sou regido por nenhuma lei, divina ou da carne.

A Metamorfose de Narciso

E dessa vã filosofia aos olhos de um artista

contempla as cores do mundo mas sua cabeça é Guernica

às vezes sente e chora, transborda e escorre

e em seu próprio âmago aos poucos sente que morre

E nasce a cada manhã sentindo o peso dos dias

iguais e igualmente fadados às suas rotinas

e o preço do sono o deixa mais senil

de que adianta dormir se é o mesmo vazio

se alimenta de desejos e já tarde vai perceber

que já está de noite e se esqueceu de comer

Desce um café com remorso até lhe faltar o ar

depois do décimo primeiro copo o coração acelerar

e se sente vazio, de tudo tão literalmente

que a busca por sua fragmentação o torna menos consciente

e inconsequente segue em caminhos de perdição

o veludo dos corpos já não é tátil em sua mão

Vive a divina comédia, agora toda a dor é pouca

em meio ao calor delas se contorcendo em sua boca.

 

 

 

 

 

Att fly ãr livet att drõja dõden

Mais uma noite com o cansaço e o frio disputando por meus ossos

lembranças dos velhos sentimentos que um dia pensei serem nossos

e nosso seria o mundo até que um dia isso morreu

e hoje olho pra trás e vejo que todo esse mundo foi só eu

Então que seja eu, e tudo o que nos distancia

É que se eu sou meu próprio mundo, o farei, mas lá em cima

E que toda a chaga de mercúrio que multiplica minha dor

tantos meses de tormento por dois segundos de uma frase de amor

então que cada verso seja o mais longo possível

pra quão longa for a consequência, que já seja previsível

Que não será por você, por nada nem por ninguém

que esse não é o meu lugar, nem tão perto do que vem além

e do distante desconhecido que minha alma anseia em ir

o foco não é o trajeto, a direção: subir.

voltados ao céu olhos ardentes, perdidos de visão turva

procuro o brilho das estrelas mas por aqui não vejo nenhuma

E se a vontade de ir a lua veio de seu brilho que deslumbra

O sorriso que procuro faz de toda luz penumbra.

Arranquei minha…

Arranquei minha janela pra deixar o frio entrar, sem muito entender qual o lado ” de dentro”.

Mercúrio

E amor, desejo, amizade
de Ghandi ao Marquês de Sade
de Nietzsche ao cão que só late
Só quem sente e prega sabe
o que é isso de verdade
então não vem me falar por maldade
porque se digo que te amo é pela eternidade.

E no baque de cada lembrança ou pensamento
no rastro pegajoso do que era o sentimento
lento, mas pra frente, cadência de lesma
e hoje morto, inerte, naquela, a mesma.
e sem culpar quem esteve em falta ou presente demais
de que vale lamentar e banalizar o que jaz
difícil não idealizar o tão complicado amor
mas hoje só o seu sorriso seria pra mim um desfibrilador.

Soul – mate

E, depois de tanto tempo, aqui estou eu, novamente. O mesmo olho vermelho de visão embaçada, baixo, ardendo pelo brilho da tela de um computador no mesmo quarto escuro e vazio, tão bagunçado quanto os pensamentos que me esforço a manter sãos, um cheiro de poeira e algo mais, abafado, acho que sou eu. Não há mais seus fios de cabelo pelo meu colchão, guardei algum, eu acho, sei lá. Não há mais seu cheiro, o seu xampu no meu travesseiro, nas minhas roupas… Só eu, meu cheiro com café, ao mesmo soothsayer e os estalos do ventilador girando.

Já perdi muito nessa vida, já estraguei muitas coisas, já estraguei tudo… Perdas sempre geram falta, saudade, mas logo superamos. Nos damos conta de que nada é pra sempre e percebemos que o máximo que podemos fazer é nos agarrar como podemos no que nos faz bem e só esperar, e nem sequer ousar nos perguntar, pelo quê ?

E agora olho em volta, no mesmo estado deplorável de solidão que sempre estive, nada novo, talvez não tivesse que dar certo desde o começo ou por algum momento deu, já perdi muito de mim me esforçando nos porquês de tudo, foi, e só. E só de pensar nisso tudo eu já entro em pânico, não sei o que houve, às vezes até esqueço como acabou, se eu vi como acabou. Eu só estava lá, depois tive que ir embora.

E aí, sem rumo qualquer, quis me perder, e me perdi. Por 3 longos meses, anos, sei lá, me perdi em meio a tudo o que não queria mais, de tudo o que me afastara. Não sei se deixei minha bondade contigo ou se sempre fui assim, não me lembro bem de como era antes de você, queria que seu sorriso fosse o meu primeiro sopro de vida, explicaria porque não me sinto mais vivo agora que não o tenho.

Tanto, queria poder te dizer tanto, queria te ver de novo, queria ouvir sua voz, mesmo que blasfemasse todo o ódio que lhe causei contra minha alma, ou só que arrancasse até a última partícula sua de mim, até o último pensamento que me atormenta todos os dias e, agora, vejo de tão longe você se tornar algo que não conheço, desde quando ainda estava do seu lado, não sei se eu quem idealizei em ti o que esperava de perfeição em uma única pessoa de uma espécie inteira, minha própria, que tanto desprezo, ou se algo aconteceu, algo que eu não vi, não pude evitar, não tive o controle e, agora, é tarde demais, talvez sempre tenha sido.

E é natal, não sei o que deveria significar pra mim, não sei se já passei algum como se deveria passar, se é que há uma maneira certa de agir em cada feriado. E aqui estou eu, remoendo toda a falta que você me faz, ou a falta de algo que ficou com você, algo que eu escolhi lhe dar, que te escolhi, somente a você, para carregá lo consigo, para sempre, mesmo que o tempo apague de ti a memória de tudo relacionado a mim, sempre carregarei comigo o seu sorriso, o que mais me trouxe paz nessa vida, porque escolhi que ficasse com você, de tudo o que criei em mim, o que mais me faz humano e, por mais que eu quisesse que fosse diferente, aceito e temo desesperadamente pelo preço que pagarei por, se ainda sim conseguir, quebrar a promessa que lhe fiz.

E você estava certa, eu morrerei sozinho, e eu sei disso… E desde que disse isso não me foge das noites de sono os sonhos nos quais dou minha vida por você, talvez eu seja um “derrotado” que não soube como superar o fim de um relacionamento, é vero ou, talvez, depois de todas as noites em que passo horas afundando minha cabeça no travesseiro pra tentar abafar os pensamentos que tenho de ti, tenha percebido em cada segundo depois que durmo que talvez seja até melhor morrer sozinho, ou a única maneira de dar uma utilidade maior a isso seja, por esse mesmo sorriso, que fosse ao seu lado, ou por você.

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